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Minicartão de Dia dos Pais

Olá.
Aqui é o Rafael novamente.
Como de praxe desde que comecei a colaborar com o blog Educar é Viver, não dá para deixar as datas comemorativas passarem em branco: é necessário deixar pelo menos uma ilustração alusiva, à guisa de minicartão.
O presente feriado desta vez é o Dia dos Pais. Por motivos operacionais, que fogem ao controle do autor, só uma ilustração foi feita este ano. Para ampliar (clique sobre a imagem), imprimir e anexar ao presente!

A imagem também pode ser vista nos blogs https://estudiorafelipe.blogspot.com.br/ e https://bitifrendisblog.blogspot.com.br/.
Feliz Dia dos Pais aos educadores que também são pais!
Até mais!

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Minicartão de Dia das Mães

Olá.
Aqui é o Rafael novamente.
Como tem sido todos os anos desde que comecei a colaborar para o Educar é Viver, deixo para os leitores um desenho alusivo às datas comemorativas - neste caso, o Dia das Mães.
No presente ano, só foi possível, devido a motivos de força maior, elaborar um cartão. Clique na imagem para ampliar, imprima e inclua no seu presente!

Este cartão também pode ser visto nos seguintes sites:
https://naestanciadoteixeirao.blogspot.com.br/
https://estudiorafelipe.blogspot.com.br/.
Um feliz dia das Mães às educadoras - e também mães - que acompanham o nosso blog!
E até mais!

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Avaliações para 5º ano

Amigos e seguidores do blog EDUCAR É VIVER, postarei aqui algumas avaliações para aplicar em turmas de 5º ano. Espero que ajude!!!!
Visitem também meu canal no YouTube :
  https://www.youtube.com/channel/UCE-01iWihGiaSFKd9HuJySw 


  • Avaliação 1 

     

    Avaliação 2 

    Avaliação 3





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Deficiência Auditiva - Diagnóstico

    Deficiência auditiva: é quando alguma estrutura das orelhas apresenta uma alteração, ocasionando uma diminuição da capacidade de perceber o som. Geralmente, o deficiênte auditivo se comunica pela fala e apresenta uma perda auditiva de grau leve ou moderado.
   Surdez: Também é ocasionado por alguma alteração nas estruturas da orelha, ocasionando uma incapacidade em perceber o som. Geralmente o surdo se comunica por meio da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e apresenta um perda auditiva de grau severo ou profundo.

      Ambas ocasionam uma limitação para o desenvolvimento do indivíduo. A audição é fundamental para a aquisição da linguagem falada e sua deficiência pode ocasionar muita dificuldade nas relações sociais, psicológicas e nas interações.

     Quanto ao período de aquisição da deficiência auditiva, temos dois grupos:

  • Congênito ( referente aquilo que se traz ao nascer, que é inato.) - quando o indivíduo já nasceu surdo e,neste caso, a surdez é considerada pré-lingual, ou seja, estava presente antes da aquisição da linguagem.
  • Adquirido quando  o indivíduo nasce ouvindo e perde sua adição no decorrer da idade; neste caso, a surdez é pré-lingual ou pós-lingual, dependendo da sua ocorrência ter acontecido antes ou depois da aquisição de linguagem.
    As causas para o surgimento da deficiência auditiva podem ser pré-natais, peri-natais ( antes do nascimento), a deficiência auditiva é provocada por fatores genéticos ( casamento sanguíneos) e hereditários; por doenças adquiridas pela mãe na gestação ( rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus) e exposição da mãe a drogas ototóxicas ( alguns antibióticos, álcool, monóxido de carbono, etc.), que fazem mal para o órgão da audição.
     Os pais devem ser orientados a estimular seus filhos com conversas, toques, sorrisos e carinhos desde cedo, ou seja, outras formas de comunicação, além da oral, devem ser usadas para estimulação do bebê. Deve-se falar sempre de frente para a criança, olhando para ela, permitindo que ela perceba a existência dessa forma de comunicação.

      Em sala de aula, a professora deve realizar atividades diferenciadas de acordo com o nível do aluno.
      Quando a professora estiver realizando uma explicação de alguma disciplina, deve realizar a explicação com o olhar atento para o estudante, mexendo os lábios com calma, para que o mesmo faça a leitura labial, e sempre fazendo gestos, para que o conjunto das atitudes facilite o entendimento do estudante com deficiência auditiva.

                         Exames Audiológicos

Existem algumas formas de fazer o diagnóstico auditivo de uma pessoa:

 

  1. Audiometria de Tronco Cerebral (BERA)

    Indicado para crianças bem pequenas ou para pessoas com problemas cognitivos.

    2.   Audiometria Tonal

    Indicado para as crianças maiores ou para as que já podem colaborar respondendo quando escutam um tom puro.

    3. Audiometria Vocal

    Feito com crianças que já vocalizam alguns sons.

     4. Emissões Otoacústicas (exame da Orelhinha)

    Indicado para bebês ainda na maternidade e deve ser feito em silêncio.


    • Observações feita por professores que também podem indicar se a criança necessita de uma avaliação.

      1.  O estudante está de costas e não responde quando é chamado; 

        2. O professor precisa utilizar gestos indicativos para que o estudante execute uma ação, por exemplo, dar um beijo;

        3. O estudante é desatento, agitado ou quieto demais;

        4. O estudante não percebe os sons do ambiente;

        5. O estudante só escuta televisão ou rádio em um volume muito alto;

        6. O estudante tem histórico de só ter começado a falar ao três anos de idade.

         

        OBS: Todos esses casos não dão a certeza de que o estudante tenha uma deficiência auditiva, porém são indícios que servem como sinais de alerta para que seja procurado um médico qualificado que certifique se existe ou não o problema auditivo.

                          




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Método de Alfabetização



Amigos e seguidores do blog EDUCAR É VIVER, como vocês já sabem criei um canal no YouTube com dicas para ajudar profissionais da educação e pessoas que necessitem desse tipo de ajuda.

Nesse vídeo falarei sobre alguns métodos de alfabetização. 


Alfabetização é o termo que usamos quando nos referimos à aprendizagem da leitura e da escrita. Um indivíduo que sabe ler e escrever é considerado uma pessoa alfabetizada.

São vários os métodos para se alfabetizar. Temos o Método de alfabetização sintéticos e o Métodos de alfabetização analíticos.

Método Sintético :São métodos que levam o aluno a combinar elementos isolados da língua: sons, letras e sílabas.EX: alfabéticos, silábicos,fonéticos,etc.

Alfabéticos

O aluno aprende:
• o nome das letras nas formas maiúscula, minúscula, manuscrita, etc.
• a seqüência do alfabeto.
• a combinar as letras entre si, formando sílabas e palavras.
Silábicos
O aluno aprende inicialmente a sílaba, a combinação entre elas e chega à palavra.
Fonéticos
O aluno aprende inicialmente os sons das letras isoladas e depois reúne em sílabas que formarão as palavras.

Método Analítico: São métodos que levam o aluno a analisar um todo (palavra) para chegar às partes que o compõem. EX: palavração, sentenciação, contos, natural.
Palavração

O aluno aprende algumas palavras associadas às suas imagens visuais. É usada a memória visual. Depois que o aluno já reconhece algumas palavras, estas são divididas em sílabas para formar outras palavras.


Sentenciação

O aluno parte de uma frase que a turma está discutindo, visualiza e memoriza as palavras e depois analisa as sílabas para formar novas palavras.

Contos ou historietas

É uma ampliação do método de sentenciação. O aluno parte de pequenas histórias para chegar nas palavras, sílabas e com estas sílabas formar novas palavras.


Natural

O método natural parte de um pré-livro que contém registros de conversas da classe sobre determinado assunto. É apresentado aos alunos aos poucos para a sua visualização. Depois dessa fase, passa-se para a leitura sonorizada de cada sílaba da palavra. A partir destas sílabas, o aluno forma novas palavras e novas frases.



ASSISTAM!!!!
CURTAM!!!!
Se INSCREVAM!!! 

 

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Como trabalhar com estudantes TDAH/ DDA?



Amigos e seguidores do blog EDUCAR É VIVER, como vocês já sabem criei um canal no YouTube com dicas para ajudar profissionais da educação e pessoas que necessitem desse tipo de ajuda.


Nesse vídeo irei falar como profissionais da educação podem trabalhar com estudantes com Déficit de Atenção.

Como trabalhar com um aluno com Déficit de Atenção?
O indivíduo que tem TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)/ DDA ( Distúrbio de Déficit de Atenção),
é inteligente, criativo e intuitivo, mas não consegue realizar todo seu potencial em função do transtorno que tem 3 características principais: desatenção, impulsividade e hiperatividade .
O déficit de atenção pode vir ou não acompanhado de hiperatividade. Nem sempre se dão juntos numa criança.
Há uma ocorrência maior de TDA como as meninas costumam ser do Tipo Desatento (a hiperatividade é só mental) e os meninos possui ocorrência maior de TDAH (a hiperatividade e comportamental e mental).
O TDAH (DDA) é um transtorno neurobiológico crônico, na sua grande maioria de origem genética.
A criança ou adolescente com TDAH /DDA não sabe lidar com fracasso, frustração. Estão sempre ansiosos, sentem-se incompreendidos e irritam-se com facilidade.
A medicação, é a última alternativa que se pode indicar a uma criança. O uso indevido da medicação pode atrapalhar
Todo comportamento pode ser estimulado, reforçado ou anulado através de 3 reforços:


1º - Reforço Negativo
São críticas, reprimendas, castigos, punições, etc., como reação a todo comportamento negativo, inadequado. Isso faz com que o comportamento negativo aumente ,afinal é só assim que o notam.
2º - Reforço de Extinção
O ser humano adora ter atenção, carinho e reconhecimento. E detesta ser ignorado.Para se anular um determinado tipo de comportamento, a melhor técnica é ignorá-lo.
3º - Reforço Positivo
São carícias físicas, palavras afetuosas, elogios e reconhecimento por comportamentos positivos. Esse tipo de reforço faz com que o indivíduo empenhe-se nesse padrão de comportamento positivo para continuar sendo notado, reconhecido e elogiado.

Dicas para mudança de comportamento
-Não usar reforços negativos, somente em último caso,
-Usar reforços de extinção – um comportamento sem IBOPE provavelmente sairá do ar.
-Usar reforços positivos – Se a qualquer comportamento adequado mesmo vc achando que é obrigação, elogie
-Quando você quer mudar um comportamento indesejável, decida por qual o comportamento positivo quer substituí-lo. Depois de ter reforçado esse novo comportamento positivo frequentemente por no mínimo uma semana, comece a punir o comportamento indesejável, com punições brandas, como por exemplo a perda de privilégios.

ASSISTAM!!!
CURTAM!!!!!
Se INSCREVAM!!!

 

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Atitude do professor em sala de aula com aluno TDO

Amigos e seguidores do blog EDUCAR É VIVER, como vocês já sabem criei um canal no YouTube com dicas para ajudar profissionais da educação e pessoas que necessitem desse tipo de ajuda.

 Segundo a legislação brasileira, são consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimentos físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais de longo prazo que possam afetar sua participação na sociedade em igualdade de condições. O atendimento escolar é obrigatório a todos os estudantes de 4 a 17 anos, inclusive aos com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento.
Para o atendimento completo, a escola deve oferecer todas as condições favorecendo uma aprendizagem completa.
"O professor junto com a coordenação pedagógica devem fazer a mediação do ensino. Na sala de aula, é preciso estabelecer um projeto colaborativo que dê conta de um grupo heterogêneo", todas as crianças são diferentes entre si, e é preciso romper com o modelo homogêneo e a lógica de competição, reorganizando o tempo escolar em atividades diversificadas. "
Leia o livro “PORQUINHA DE RABINHO ESTICADINHO”

  Nesse vídeo dou dicas de como o professor deve se comportar em sala de aula com estudantes TDO (Transtorno Desafiador Opositor). 

 ASSISTAM!!!!!
 CURTAM e se INSCREVAM!!!!

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Ideias para incentiva a leitura

Amigos e seguidores do blog EDUCAR É VIVER, como vocês já sabem criei um canal no YouTube com dicas para ajudar profissionais da educação e pessoas que necessitem desse tipo de ajuda.

 Nesse vídeo darei dicas para incentivar a leitura através de projetos que já realizei em sala de aula e ideias que também utilizei e deu certo.

 ASSISTAM!!!!!
 CURTAM e se INSCREVAM!!!!

 

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Novíssimos cartões natalinos

Olá.
Aqui é o Rafael novamente.
Enquanto escrevo, ainda é dia de Natal.
E, como tem sido todos os anos, desde que comecei a colaborar no blog Educar é Viver, deixo aos leitores novos cartões natalinos com meus personagens. Cartões já prontos, com a mensagem implícita em seu sentido pictórico.
Os cartões podem ser vistos, em tamanho maior, nos blogs dos respectivos personagens (links abaixo):

https://leticiaquadrinhos.blogspot.com.br/
https://bitifrendisblog.blogspot.com.br/
https://naestanciadoteixeirao.blogspot.com.br/
Quem disse que apenas com neve se faz um "anjo"?
Obrigado a todos que acessam os nossos blog!
Por um 2017 pleno de melhorias positivas na Educação!
Até mais!
https://estudiorafelipe.blogspot.com.br/

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História: O NEGRINHO DO PASTOREIO

Olá.
Aqui é o Rafael novamente.
Neste dia 31 de outubro, alguns setores da cultura brasileira comemoram o Dia do Saci, celebração criada como forma de promoção da cultura brasileira e tentativa de resistência à importação do Halloween norte-americano em terras brasileiras.
Como uma contribuição para o Dia do Saci, que pode ser utilizado em escolas como promoção do folclore brasileiro, transcrevo aqui um texto que pode ser usado como material didático para aulas de português e leitura: a versão da lenda do Negrinho do Pastoreio, tradicional história folclórica do Rio Grande do Sul, escrita por um autor local. Acompanha, abaixo, um vocabulário, e duas ilustrações feitas por mim com o tema.

O NEGRINHO DO PASTOREIO

Versão: Fidélis Dalcin Barbosa
Baseada na versão original de Simões Lopes Neto

            O minuano – vento gelado que sopra dos Andes – varria inclemente os pampas sem fim do Rio Grande do Sul. Medonho, aquele inverno! Feias chuvaradas encharcando os campos. Nevadas e geadas cobrindo as coxilhas de branco qual imenso lençol...
            Domingo de sol. Domingo bonito mas frio demais para uma carreira. Um estancieiro, muito rico e muito mau, ia correr com um vizinho. O cavalo baio do primeiro tinha fama tanto como o cavalo mouro do adversário.
            A parada era de mil onças de ouro. Deveriam ser distribuídas entre os pobres. Mas o estancieiro mau não concordou. Se ele ganhasse, o dinheiro seria todo dele, somente dele. Nunca ninguém viu um fazendeiro tão pão-duro como aquele.
            Por causa de sua maldade e da sua avareza, ninguém gostava dele. Vivia quase sozinho, o miserável. Na sua casa, moravam com ele apenas um filho, impertinente como o pai, e um negrinho. Um negrinho muito bom, bonito lustroso. Não tinha nome, não tinha pai, não tinha mãe e nem padrinho, o coitado. Por isso, Nossa senhora era a sua madrinha.
            O Negrinho cuidava dos cavalos do estancieiro cauíla e era ele que faria de jóquei da carreira. Se porventura o baio perdesse, ninguém pode imaginar o que o malvado do estancieiro faria daquele pobre escravo. E não é que o estancieiro mau perdeu mesmo?
            - Valha-me a Virgem madrinha Nossa Senhora! – gemeu o Negrinho.
            É verdade, os pobres se alegraram porque o ganhador distribuiu logo todo o valor das mil onças. Mas o Negrinho, nem queiram saber.
            O estancieiro voltou para casa com a alma em pedaços. Apeou do cavalo. Mandou amarrar o Negrinho a um palanque e deu-lhe uma tremenda surra de relho.
            De madrugada saiu com o Negrinho pelo campo. Parou no alto de uma coxilha e falou:
            - Trinta quadras tinha a cancha da carreira que tu perdeste. Trinta dias ficarás aqui pastoreando a minha tropilha de trinta tordilhos... O baio fica de piquete na soga e tu ficarás de estaca!
            Chorando, lá ficou o coitadinho dia e noite, passando fome, passando frio. Enfim, enfraquecido e cansado, caiu com a soga do baio enleada no pulso. Deitou-se encostando a cabeça a um cupim.
            De noite, vieram as corujas. Voaram em roda, paradas no ar, sem mover as asas, os olhos reluzentes, amarelos, olhando para o Negrinho.
            Ele teve medo. Rezou à sua madrinha, Nossa Senhora, e adormeceu.
            Ia alta a noite, quando chegou o guaraxaim. Farejou o Negrinho. Depois roeu a guasca da soga, soltando o baio, que fugiu a galope, e toda a tropilha com ele, escaramuçando no escuro e desguaritando-se nas canhadas.
            Com o tropel, o negrinho acordou. O guaraxaim fugiu, esganiçando. Os galos cantavam, longe.
            De manhã, a cerração encobria os campos e o Negrinho não enxergava o pastoreio. Chorou, pensando no castigo que iria levar.
            O filho do estancieiro, aquele menino mau, foi lá e voltou logo a contar ao pai que os cavalos não estavam...
            Então, o Negrinho foi outra vez amarrado pelos pulsos ao palanque, tomando tremenda surra de relho.
            Quando anoiteceu, o estancieiro ordenou que o Negrinho fosse campear a tropilha.
            Rengueando e gemendo, o Negrinho saiu. Rezou à sua madrinha, Nossa Senhora. Foi ao oratório da casa. Tomou o toco de vela aceso em frente da imagem e andou pelo campo.
            Foi andando, andando, pelas coxilhas e canhadas, pela beira dos lagões, paradeiros e restingas. E em toda a parte a vela ia pingando cera no chão. E de cada pingo nascia uma luz. Nasceu tanta luz, tanta luz, que clareava tudo.
            O gado ficou deitado. Os touros não escarvaram e as manadas xucras não dispararam. E os cavalos, vendo o Negrinho, relincharam todos juntos, contentes.
            O Negrinho montou no baio e tocou a tropilha por diante, até o alto da coxilha. Deitou-se e no mesmo instante se apagaram todas as luzes. Dormiu, sonhando com a Virgem, sua madrinha.
            E não apareceram as corujas, nem o guaraxaim. De manhã, o menino mau, o filho do estancieiro, foi e enxotou os cavalos, que dispararam campo afora, desguaritando-se nas canhadas.
            O tropel acordou o Negrinho. E o menino mau foi dizer ao pai que os cavalos não estavam lá...

* * *

            Aí o estancieiro mandou amarrar o Negrinho pelos pulsos ao palanque e deu-lhe tremenda surra de relho. Deu-lhe tanto, recortando as carnes, o sangue vivo escorrendo do corpo...
            O Negrinho invocou sua madrinha, Nossa Senhora. Soltou um suspiro fundo e triste, parecendo morrer...
            O estancieiro mandou atirar o corpo do Negrinho numa panela de formigueiro. Depois assanhou bem as formigas.
            Quando as formigas principiaram a trincar-lhe o corpo, o estancieiro foi embora sem olhar para trás.
            Naquela noite, o estancieiro sonhou que ele era ele mesmo mil vezes, que tinha mil filhos, mil negrinhos, mil cavalos baios e mil onças de ouro... e que tudo isto cabia folgado dentro de um formigueiro pequeno...
            Depois houve três dias de cerração forte, e três noites o estancieiro teve o mesmo sonho.

* * *

            A peonada correu o campo todo, mas ninguém viu a tropilha e nem o rastro.
            O estancieiro foi ao formigueiro. Viu lá o Negrinho de pé, com a pele lisa, perfeita, são e salvo, a sacudir as formigas do corpo. Ao lado, o cavalo baio e junto a tropilha dos trinta tordilhos, e, em frente, fazendo guarda ao pobrezinho, viu a Virgem Nossa Senhora, sua madrinha. Quando viu aquilo, o senhor caiu de joelhos diante do escravo.
            E o Negrinho, sarado e risonho, montou o baio em pelo e sem rédeas, chupou o beio e tocou a tropilha a galope...
            Na mesma noite, os posteiros e andantes, que dormiam em ranchos e camas de macega, ao relento, os tropeiros e carreteiros, viram, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocados pelo Negrinho, gineteando em pelo, em um cavalo baio...
            Hoje, nos campos do Rio Grande do Sul, quem perder uma coisa, o que for, acende uma vela à madrinha do Negrinho, Nossa Senhora, e então o Negrinho do Pastoreio campeia e acha...

(Extraído de: BARBOSA, Fidélis Dalcin. O Filho do Baby Doll. Canoas: Tipografia e Editora La Salle, 1992. P. 60 – 63)

VOCABULÁRIO:
Inclemente: severo, rigoroso;
Coxilhas: morros dos pampas gaúchos, sem vegetação arbórea constante, onde prevalece a rama, o capim, a vegetação rasteira;
Carreira: pequena corrida de cavalos;
Baio: cavalo de pelo castanho-amarelado;
Mouro: cavalo preto salpicado de branco;
Onças: antiga moeda de ouro circulante no Rio Grande do Sul do século XIX;
Impertinente: Rabugento, importuno;
Cauíla: avarento;
Apeou: desmontou do cavalo;
Relho: chicote de couro cru;
Quadra: área de cerca de 132 m2;
Cancha: raia, pista de corrida;
Tordilho: cavalo de pelo negro com grandes manchas brancas;
Piquete: guarda, vigia;
Soga: corda que prende os animais a um poste;
Enleada: enrolada;
Cupim: pedaço de couro (provavelmente, retirado da corcova do boi zebu, cuja carne recebe o mesmo nome);
Guaraxaim: animal mamífero e carnívoro da família dos canídeos;
Guasca: tira de couro;
Escaramuçando: rodopiando;
Desguaritando-se: extraviando-se;
Canhadas: vales entre colinas e coxilhas;
Esganiçando: gritar com voz aguda, semelhante à de um cão;
Cerração: nevoeiro;
Campear: procurar pelos campos;
Rengueando: arrastando as pernas;
Paradeiro: local em que se para;
Restinga: monte de areia ou pedras perto de locais com água;
Escarvar: cavar o solo superficialmente, com a pata;
Xucras: que não foram domadas;
Enxotou: espantou;
Panela de formigueiro: buraco de formigueiro construído no chão;
Trincar: morder, cortar a mordidas;
Peonada: grupo de peões de estância;
Posteiro: empregado rural responsável pela vigia junto à cerca da fazenda;
Macega: capim seco; tipo de erva daninha;

Relento: ao ar livre, sem proteção.

Em breve, novas contribuições para os professores que acessam este blog.
Visitem: https://estudiorafelipe.blogspot.com.br/.
Até mais!

 
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